Texto da Fonoaudióloga Keila A. Baraldi Knobel

Introdução
Sabemos que o zumbido é um
problema que afeta cerca de 17% da população mundial e causa
sofrimento significativo em 4% das pessoas em geral (aproximadamente 6
milhões no Brasil) e, que apesar de haver diversas teorias sobre
sua causa, nenhuma teve comprovação científica devido
à falta de métodos objetivos e não invasivos para
detectar o zumbido e para localizar a atividade neuronal a este relacionada.
O
zumbido pode estar associado a perdas auditivas, infecções de ouvido, otosclerose, vertigens, efeito de drogas ototóxicas, exposição prolongada a
ambientes muito ruidosos, alterações metabólicas e/ou circulatórias,
estresse, depressão, ansiedade e a orientações negativas. Por esta razão, não
existe um único tratamento que seja eficaz para todos os tipos de zumbido e, em
alguns casos, o zumbido não desaparece por completo. Por outro lado, existem
muitos tratamentos que dimiuem e até eliminam o zumbido. A eficácia do
tratamento dependerá da causa do problema (se é identificável ou não, tratável
ou não), da resposta individual do paciente àquele tratamento (nem todos os
organismos reagem da mesma maneira aos medicamentos) e da discplina e
perseverança do paciente, pois qualquer tratamento falhará se não for
rigorosamente seguido.
Geralmente é dito aos pacientes que eles devem "aprender a
conviver com o problema", o que não é muito animador para quem está incomodado
com ele...
Terapia de Habituação do Zumbido (TRT)
Há muito tempo se sabe que não exite qualquer relação entre o grau de incômodo
que a pessoa tem com o zumbido e a sua intensidade,
a freqüência (mais grave ou mais agudo) ou o tipo de zumbido (chiado, apito,
etc). Mas foi um modelo neurofisiológico desenvolvido por
Pawell Jastreboff
explicou porque duas pessoas com zumbidos idênticos poderiam ter reações totalmente
diferentes uma da outra (uma poderia sentir um incômodo terrível e a outra nem
percebê-lo). Tal estudo
serviu de base para a criação de um tratamento chamado de TRT (Tinnitus Retraining Therapy),
ou Terapia de Habituação do Zumbido.
A proposta da TRT é que o paciente aprenda a tratar o zumbido
da mesma forma como trata o som da geladeira da cozinha, por exemplo, o
qual geralmente não se percebe, e quando é ouvido não
causa incômodo. A TRT ajuda o paciente a modificar os reflexos envolvidos
nas conexões do sistema auditivo com os sistemas límbico (que
controla as emoções)
e nervoso autônomo (que controla as reações), treinando a parte subconsciente das vias auditivas
centrais a bloquear a chegada do sinal do zumbido até o córtex.
O método consiste de duas partes de igual importância e que
seguem protocolos específicos para cada caso: sessões intensivas de orientação
dirigida e enriquecimento sonoro.
Nas sessões de orientação o paciente aprende sobre o
funcionamento das vias auditivas, sobre os mecanismos de geração e percepção do
zumbido e sobre a TRT.
O enriquecimento sonoro prevê o uso de sons contínuos e
suaves que dimunirão a percepção do zumbido. Esses sons podem advir de Geradores
de Som Individuais (pequenos aparelhos colocados atrás da orelha que emitem um ruído constante de banda larga em intensidade
controlada), de Geradores de Som Ambientais (aparelhos que emitem sons da
natureza) ou de outra fonte de som suave e contínuo, como ventiladores, CDs com
sons da natureza, fontes de água e até mesmo de rádios fora de sintonia. Pessoas
com perdas de audição podem usar próteses auditivas (que melhoram a audição por
meio da amplificação dos sons) em associação com os sons ambientais ou com os
geradores de som ambientais.
É importante salientar que os sons usados não devem
chegar a encobrir
o zumbido pois, é impossível que alguém se habitue
com um som se não consiguir escutá-lo.
A continuidade do tratamento é
fundamental para o seu sucesso. O paciente deve atender a sessões
de acompanhamento, geralmente três vezes no primeiro semestre de atendimento
e depois a cada seis meses. Nessas sessões são feitos novos testes auditivos,
são aplicados questionários que avaliam o progresso do tratamento
e as dúvidas do paciente são esclarecidas. O acompanhamento
se extende por um período que varia entre 12
e 24 meses.
É importante observar que a TRT poderá ser associado a
outros tratamentos quando necessário, e que os resultados terapêuticos podem
variar para cada indivíduo.
Pontos importantes